quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Comunicado do MISTA sobre as Praxes no IST


O MISTA começou o ano lectivo com a distribuição de um folheto informativo que tinha como título “A praxe não é obrigatória”. No final esclarecia que “o MISTA não é contra nem a favor da praxe, apenas pretende que os/as estudantes recém chegados/as ao IST tomem, a este respeito, uma decisão responsável e consciente”.


O MISTA não é por princípio contra a praxe. Concordamos que a integração dos/as novos/as alunos/as no Ensino Superior (e em muitos casos numa nova cidade) é um momento importante das suas vidas enquanto estudantes. É, no entanto, contra as praxes ofensivas: a humilhação, o sexismo e a homofobia que é habitual nas praxes académicas. Consideramos que a integração de uma pessoa pode e deve ser feita sem recorrer a estes termos.

O MISTA não é por princípio contra a praxe, mas questiona a praxe por princípio. Por termos um espírito crítico, questionarmos tudo, e defendermos que a Escola deve fomentar esse espírito dentro da sua comunidade, queremos que os/as estudantes sejam críticos e reflictam sobre a praxe. A escolha de participar ou não nas actividades da praxe deve ser uma decisão tomada de forma consciente e responsável, reflectida, informada, e sem qualquer tipo de coacção psicológica (ou física).


Em relação ao comunicado que o Presidente do IST enviou na passada Sexta-Feira [19 de Set.], o MISTA defende que a proibição autoritária não é a solução. Consideramos que a primeira via, a do diálogo e do debate, falhou neste processo. Não só com as Comissões de Praxe e a AEIST mas também com o Mentorado e os Movimentos Anti-Praxe, pois todos fazem parte da vida universitária, e todos têm uma palavra a dizer.

O timming deste comunicado, uma semana após a mensagem do Ministro Mariano Gago [10 de Set.], e depois de uma semana de praxes nas filas para as inscrições, também não foi o mais acertado. E ainda menos coerente foi a mudança súbita de posição que o Conselho Directivo teve numa conversa informal com a AEIST e Comissões de Praxe, passado o fim-de-semana. Apesar do comunicado que foi enviado para toda a comunidade do IST, já na segunda-feira [22 de Set.] as praxes decorriam dentro da Instituição com os rituais, as cantilenas (umas mais, outras menos ofensivas), os gritos, o álcool, e os trajes habituais do início de ano lectivo. Certo que mais moderadas, mas sempre presentes. A praxe continuou como se nenhuma decisão tivesse sido tomada e divulgada.

Quando há regras numa escola, estas têm de ser claras, e não foi o que aconteceu neste caso. Mesmo que numa conversa informal o Conselho Directivo tenha voltado atrás na sua proibição, talvez fechando um pouco os olhos ao que se passa nas suas instalações, isso deveria ter sido explicado e divulgado aos/às alunos/as que ficaram, deste modo, com a impressão de que as regras existem mas não são para ser levadas a sério nem para cumprir. Não é que as regras e os limites não possam ser questionados (e por vezes até transgredidos), mas, neste caso, fica-se na dúvida se a regra, de facto, alguma vez existiu.


Por uma integração saudável,
MISTA - Movimento IST Alternativo

2 comentários:

s3c0 disse...

Visto que o IST não esclareceu o que era "acto de praxe", tudo depende do ponto de vista de cada um.

Logo, "os rituais, as cantilenas (umas mais, outras menos ofensivas), os gritos, o álcool, e os trajes habituais do início de ano lectivo", podem ou não ser considerados actos de praxe... tudo depende dos argumentos apresentados.

É engraçado o MISTA não se declarar anti-praxe, mas rejubilar de alegria quando esta é proibida.

Tal como o IST, vocês não estão a tomar nenhuma posição concreta... ora não são anti-praxe por principio, ora rejubilam quando esta é punida.

Pior ainda, é atacarem as comissões de praxe, quando sabem que o comunicado lançado pelo Directivo é completamente absurdo, dúbio, com o pior timming possivel, e ainda por cima, inconclusivo.

Tal como o IST, o MISTA, não está a tomar nenhuma posição concreta... esse "A" de Alternativo, começa a estar a mais. Mais parecem um Movimento do IST (MIST), com tantas semelhanças com o Directivo.

Maria Gabriela Passos disse...

Uuau!!!